memória 3: Wesley Duke Lee 'A verdade não pode ser dita, só revelada'.

foto de Otto Stupakoff/Arquivo Lydia Chamis


O artista plástico Wesley Duke Lee faleceu às 23h do último domingo (12), aos 78 anos, vítima de broncoaspiração e parada cardíaca, no Hospital Beneficência Portuguesa, em São Paulo. Ele sofria há três anos do Mal de Alzheimer, e deu entrada no hospital depois de passar mal durante a noite.
Pintor e desenhista, Wesley iniciou sua formação no curso de desenho livre do MASP, em 1951. Estudou nos Estados Unidos, viveu em Paris e voltou à São Paulo em 1963 para organizar grandes "happenings" junto de Bernardo Cid, Otto Stupakoff e Pedro Manuel Gismondi, entre outros nomes. Em 1966, participou da fundação do Grupo Rex, ao lado de Geraldo de Barros e Nelson Leirner. Ousado, ele se ofereceu como voluntário para testar os efeitos do LSD numa clínica, em 1964. Das experiências lisérgicas saíram duas de suas séries mais carregadas de reflexões políticas.
fotos de Wesley Duke Lee (acima e abaixo)

Wesley Duke Lee (São Paulo, 21 de dezembro de 1931- 12 de setembro 2010), desenhista, fotógrafo, gravador, artista gráfico e professor. Sua influência artística veio da avó – pintora acadêmica – e do pai – grande desenhista. Fez curso de desenho livre no MASP em 1951. Em 1952 viajou para Nova York (EUA) onde acompanhou o início das manifestações da Pop Art – liderada por artistas como Robert Rauschenberg, Jasper Johns e Cy Twombly – e estudou na Parson’s School of Design (curso de Artes Gráficas) e no American Institute of Graphics Arts (curso de Tipografia) durante 3 anos.Logo ao retornar para o Brasil (em 1960), realizou um dos primeiros happenings no país chamado O Grande Espetáculo das Artes.Com Nelson Leirner, Geraldo de Barros, José Resende, Carlos Fajardo e Frederico Nasser (destes últimos três e do artista Luiz Paulo Baravelli foi professor) fundou o Rex Gallery & Sons (espaço alternativo usado para publicarem manifestos e divulgarem produtos que não eram expostos em outras galerias). Foi para Paris onde estudou desenho na Académie de la Grande Chaumière ao mesmo tempo em que estudou gravura no ateliê de Johnny Friedlaender. Trabalhou na área de publicidade (pela campanha publicitária para a empresa Régie-Renault recebeu o prêmio Oscar de La Publicité Française em 1961), no entanto, sua criatividade artística impossibilitou sua permanência por longo período em qualquer tipo de trabalho, por isso, trabalhou como free-lancer por algum tempo, mas logo voltou a dedicar-se por completo às artes. Com o pintor Karl Plattner trabalhou e estudou (pintura mural) em São Paulo, na Áustria e na Itália.Em 1963, formou o movimento artístico Realismo Mágico com o crítico Pedro Manuel Gismondi, a pintora Maria Cecília, o artista Bernardo Cid, o escritor Carlos Felipe Saldanha e o fotógrafo Otto Stupakoff (com ele, Duke Lee criou uma feira industrial realizando uma série de ambientes e instalações – uma delas fora apresentada na 44ª Bienal de Veneza), Ganhou menção honrosa na 43ª Annual Exhibition of Advertising Art and Design e o prêmio Ampulheta na Biblioteca Municipal de São Paulo (ambas em 1964). No mesmo ano foi preso nos primeiros dias do Golpe Militar e passou a produzir uma série de obras criticando as atitudes e ideologias dessa revolução. A convite de Walter Zanini foi admitido no Grupo Phases.Lecionou Desenho na Faculdade de Arquitetura do Mackenzie, na Escola de Desenho Industrial de Ribeirão Preto e alguns anos mais tarde na pós-graduação da Universidade do Sul da Califórnia em Irvine.Participou do projeto Art and Technology, realizado pelo Los Angeles County Museum of Art – evento que o fez interromper suas instalações e os usos da tecnologia por algum tempo (projetos retomados somente nos anos 80). No Centro de Reprodução Xerox em Nova York realizou seus primeiros projetos com a técnica da cópia. Nesse período, passou a pesquisar outras utilizações com o xerox, com o vídeo, com a polaroid e com outras técnicas de reprodução eletrônica visuais.Recebeu da Associação Paulista de Críticos de Arte os prêmios de Melhor Pintor Paulista do Ano (em 1976) e de Melhor Exposição Retrospectiva (em 1993).O que caracteriza seus trabalhos são os contextos críticos sócio-políticos, o erotismo e pela utilização de materiais e práticas inovadoras, relacionando técnicas usuais às novas tecnologias, intervindo na percepção real da ideologia na produção.

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