Dossiê 5: Antonio Dias - A Substantiva da Ilustração da Arte




Antonio Dias (Campina Grande PB 1944) tem algo de nômade. Vive e trabalha nos locais mais diversos, mas sua carreira tem data e endereço muito precisos: inicia no Rio de Janeiro, bastante marcada pela voga do que ficou conhecido como Nova Objetividade no país. Desde então suas andanças de certo modo influenciaram a produção, apesar de o artista estar fundamentalmente referenciado ao contexto brasileiro.
Tendo freqüentado o Ateliê Livre de Gravura da Escola Nacional de Belas Artes da capital carioca, sob orientação de Oswaldo Goeldi, em 1957, o artista começa a expor. Já em 1962 realiza a primeira exposição individual, com pinturas abstratas. A partir de 1965 sua linguagem ganha uma forma mais substantiva. Tomando de empréstimo uma certa iconografia popular que se relaciona, de algum modo, com a pop art americana e o nouveau réalisme francês, se aproxima mais de uma temática da violência da imprensa marrom e do cotidiano das populações deserdadas, além da violência da ditadura militar, do que da esterilização do mundo pela imagem presente no trabalho de Andy Warhol.
Com pinturas o artista participa da importante exposição Opinião 65, no Rio de Janeiro. Ainda nesse mesmo ano é premiado na Bienal de Paris. No ano seguinte, transfere-se para Paris com bolsa do governo francês. Em 1966 ainda participa da Opinião 66. Na sua temporada francesa o artista entra em contato com outras facetas da arte contemporânea como o minimalismo e a land art, procurando uma relação menos panfletária com a arte contemporânea.
Em 1967 participa da coletiva Nova Objetividade Brasileira, organizada por Hélio Oiticica. No ano seguinte o artista não consegue renovar sua permissão para ficar na França e se muda para Milão. Nessa cidade passa a se valer de novos meios para a realização de obras de arte; em um ambiente muito efervescente, começa a lidar com questões como a incorporação do espaço e a utilização da palavra como meio de expressão plástica, sem abandonar a pintura.
Em 1971 o artista edita o disco Record: In the Space Between. Nesse mesmo ano inicia pesquisa com os filmes em super-8, no projeto The illustration of art. O audiovisual ganha importância crescente na sua produção a partir daí, entrando na produção de instalações, filmes e objetos. Mudando-se para Nova York em 1972, desenvolve trabalhos com filmes, néon, instalações com filmes, diapositivos, vídeos e outros meios ligados ao uso da tecnologia. É importante esclarecer que esta utilização não busca uma assepsia, mas uma relação tensa com os materiais. O trabalho ligado à questão da Ilustração da Arte ganha outros formatos, sempre se pautando no mote inicial: "Toda redução ou ampliação é questão de acomodação". Esta investigação se estende ao período em que passa no Nepal, em 1977. Durante todo este tempo, continua a trabalhar uma série de outros projetos sem abandonar a pintura.
Em 1978, Antonio volta ao Brasil, trabalhando por três anos como professor da Universidade Federal da Paraíba. Em 1980 participa da Bienal de Veneza.
No ano de 1989, muda-se para Colônia, Alemanha, onde mantém residência até hoje. Em 1993 o Paço das Artes, em São Paulo, organiza grande exposição da sua obra. No ano seguinte participa da 22ª Bienal Internacional de São Paulo e também da Bienal Brasil do Século XX. Entre 2000 e 2001 a retrospectiva Antonio Dias: O País Inventado, irá circular por todo o Brasil, saindo de Salvador e passando por Curitiba, São Paulo e Rio de Janeiro.



Filmes:


1971 - The illustration of art - 1 - super-8
1971 - The illustration of art - 2 - super-8
1971 - The illustration of art / Music Piece, vídeo
1971 - The illustration of Art - 3, super-8, 6:15
1972 - The illustration of art/Working Class Hero / Eating / Washing - super-8
1972 - The illustration of art/The New York Information System - super-8
1973 - The illustration of art/The Conversation Piece - super-8
1974 - The illustration of art/Two Musical Models on the Use of Multimedia: Rats Music & Banana for Two - vídeo
1977 - The illustration of art/Nepal Work - super-8

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Entrevista Exclusiva: LUIZ ROSEMBERG FILHO O Pensador do Cinema Brasileiro.

Dossiê 12:José Agrippino de Paula o poético mestre das imagens experimentais