Itu: Cidade Cinema - Vale do Sol

Nossa cidade foi cenário de várias produções do cinema nacional, com uma luz do sol fantástica para criações de imagens, mas foi no século XX que Itu teve suas primeiras produções. A Cidade de Itu (1919) e A estrada da rodagem-Itu (1923) - duas relíquias - foram as duas primeiras produções rodadas na cidade.

Trata-se de imagens documentais, que infelizmente desapareceram, embora na Cinemateca exista registro destas e de outras produções dos anos 30, 40 e 50. A Cinemateca comporta também a gravações da inauguração do Cine Marrocos de Itu (1952 até os anos 90). Em 1978 o cineasta Osvaldo de Oliveira, em parceria com Letácio de Camargo e o crítico cineclubista e cineasta Jairo Ferreira, fizeram o curta-metragem histórico A Convenção de Itu, no formato 35 mm.

Este registro é um marco na história da cidade e o trabalho documental ficou bastante tempo no Museu Republicano. Certamente, seria de ótimo uso pelas escolas do município.

Em 1989 um coletivo de amigos produziu um vídeo-documentário chamado Cidade Cinema Vale do Sol, mostrando algumas personalidades marcantes da cidade e declarações do cineasta Osvaldo de Oliveira e do ator Letácio de Camargo.

Qual foi razão da cidade ter ganhado este slogan tão importante que marcou por tantos anos? É que Itu possui uma exuberante paisagem local, com riquezas naturais, fazendas, clima quente e sol forte facilitaram as condições para filmagens, e com isso motivou da vinda de importantes produtores. Naquela época, Itu reunia todas as condições necessárias para as produções na cidade.

Cinema Novo, Cinema Marginal, Cinema da Boca do Lixo, Cinema Pornochanchada, Cinema da Retomada, e por que não Cinema Vale do Sol, com fases do cinema brasileiro? Itu conquistou o gosto popular dos filmes de cangaceiros, westerns, caipira sertaneja, produções épicas e nostálgicas, como o caso do seriado O Vigilante Rodoviário. As belezas de Itu foram cenário ideal para os cineastas como Anselmo Duarte, Carlos Coimbra, Pio Zammuner, Lima Barreto, Ary Fernandes, Lenita Perroy, José Miziara, Aurélio Teixeira, Glauco Mirko, Dionísio de Azevedo, Hermano Penna, Caue Angeli, Joel Yamaji, entre outros.

Muitos atores consagrados passaram por Itu, como Raul Cortez, Leila Diniz, Mauricio do Valle, Jofre Soares, John Hebert, Sergio Hingst, Roberto Bonfim, David Cardoso, Nhá Barbina, Toni Tornado, Sonia Braga, Tarcisio Meira, Gloria Menezes, Zé do Caixão, Walmor Chagas, Emilio Queiroz, Matilde Mastrangi, entre outros.

Algumas das produções realizadas na cidade foram: O Homem Bem Dotado de Itu, Vereda da Salvação, Luar do Sertão, Sertão em Festa, O Caçador de Esmeraldas, Quelé do Pajeú, Meu Pé de Laranja Lima, O Cangaceiro sem Deus, Casinha Pequenina, Rogo a Deus e Mando Bala, O Anjo Assassino, A Morte Comanda o Cangaço, Chão Bruto, O Cangaceiro Sanguinário, entre outras.

Mais referencias sobre esse tema podem ser encontradas no texto “Os Cinemas de Itu” de autoria de Maximo Barro, na revista Campo e Cidade (n°53) que publicou uma revista dedicada à Cidade Cinema, ilustrando um pouco da história do cinema no mundo, no Brasil e em Itu.

Infância

O filme Luar do Sertão do cineasta falecido Osvaldo de Oliveira, algumas imagens foram filmadas no bar Casa Rodrigues, este estabelecimento ainda pertence ao meu pai onde trabalha á mais de 30 anos. Eu nem era nascido ainda nesta época, todavia tenho um pequeno pedaço da história do Cinema Vale do Sol. Com 10 anos de idade meu pai já levava ao cinema para assistir filmes daquela época, mas o que me chamava atenção naquela idade era de descobrir como era projetado aquele filme, olhava para trás e queria saber de onde vinha aquela luz, nunca descobri, mas só descobri realmente 10 anos depois, onde pude apreciar, e sentir as imagens em 24 quadros por segundo sendo projetado na tela. Acho que isso foi o grande motivo para amar tanto cinema pensante.

Outros documentários

O documentário Monumentos Históricos de Itu, direção José Barros Freire apresenta belíssimas imagens dos principais monumentos da cidade, que também lançou Porto Feliz – Roteiro dos Bandeirantes. O curta-vídeo Sapatógrafo, com direção de Paulo Rodrigues e Samuel Zogno, é um registro da memória fotográfica de Itu e do trabalho do sapateiro e fotógrafo Valdir Banzi.

Museu de Imagem e Som e Mais Cultura

Em Itu há várias produções de vídeos caseiros ou profissionais. O resgate e o registro audiovisual histórico das imagens da cidade e a busca pela memória na identidade cultural é importantíssimo. Espero que algum dia na história da cidade a gente seja presenteado com um Museu de Imagem e Som.

Muitas atividades culturais no passado perderam-se, como os presépios no morro do teatro, circuito musical nos bairros, os poetas da praça, salão de artes de Itu, exposições fotográficas do Cine Foto Clube de Itu, oficinas culturais, Mercadão Cultural, entre outras. Tenho acompanhado muito a cultura em Itu, recentemente tivemos a volta do Conselho Municipal de Cultura, o surgimento de novas companhias de teatro, a vitória do Ponto de Cultura dos amigos da União Negra de Itu (UNEI), a conquista histórica do Ponto de Leitura, o projeto Tom Gás Natural que é fantástico, a exposição do Museu de Energia dos seus 10 anos recomendo, a iniciativa fabulosa este portal incentivar poetas e fotógrafos para contribuírem com os 400 anos da cidade, a PRÓTUR fazendo cadastro dos artistas, o projeto Ler é uma Viagem que é uma iniciativa maravilhosa com saraus, tivemos ainda o belíssimo 3 Festival Internacional de Cinema, entre outras.

Será que teremos mais novidades na cultura neste ano? Inicialmente vamos ter as comemorações dos quatrocentos anos, com algumas atrações interessantes, reabertura do Museu Republicano “Convenção de Itu“ e a Exposição Forma e Conteúdo, Caminhada Cultural pelo eixo histórico e show musical do Projeto Tom Natural, toque dos sinos simultâneo de 15 igrejas da cidade, entre outras. Como o ano todo vai comemorar os 400 anos, vamos esperar para ter outras atividades culturais e abertura das propostas. Esperamos pela Praça do Exagero, Teatro Municipal, Trem Republicano, Incubadora Cultural, Concha Acústica, Pinacoteca Municipal, Escola Municipal de Iniciação Artística, Fundo Municipal de Cultura, Restauração da Casa da Cultura, Encontros Musicais, entre outras.

Minha homenagem a Cidade Cinema: Vale do Sol, e aos mestres Osvaldo Oliveira, Letácio Camargo, Mazzaropi, Anselmo Duarte, Simplício, Mário Peixoto, Glauber Rocha, Mário Carneiro, José Agrippino de Paula, Maya Deren, Man Ray, e aos meus amigos Luiz Rosemberg Filho, Filipe Salles, Carlos Reichenbach, Fernanda Cobo, Marcelo Marques, José Galvão, Rodrigo Tomba, Rodrigo Armênio, Rodolfo Giacomo, Lucas Vega, Edson Cortez, Paula Piotto, Jorge Luiz Antonio, para uma grande amiga, Maria Inês de Oliveira, entre outros.
Paulo Rodrigues é estudante de fotografia, fundador do Cineclube Osvaldo de Oliveira e Cineclube CEUNSP, ex-vice-presidente da Federação Paulista de Cineclubes, membro da Biblioteca Comunitária Waldir de Souza Lima, fanzineiro, performer, videoartista, produtor cultural, documentarista e pesquisador de cinema.

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